Como o próprio título sugere, o artigo trata das etapas referentes ao processo de pesquisa de um artigo científico com ênfase em filosofia e ciências humanas. No texto, o autor traz considerações as quais julga relevantes para o pesquisador iniciante, trazendo dicas bem didáticas para quem não tem, ainda, noção de como levar seu trabalho à frente.
O primeiro ponto, pois, segundo o autor, a se pensar é a que pergunta se deseja responder. Trata-se fundamentalmente de organizar-se para responder a uma pergunta, para satisfazer uma curiosidade, para descobrir algo que ainda não se conhece. A partir do momento em que se tem essa tal pergunta chave, encontra-se uma vereda para escrever o artigo. É preciso, entretanto, já ter-se passado por certo percurso até chegar a essa pergunta. A pergunta chave de um artigo, à qual ele deverá responder, dificilmente surgirá a priori. Há de haver, pelo menos, uma pequena pesquisa antecedente, que dará alguns nortes sobretudo do que o autor quer, coisa que nem sempre está claro de pronto. Com isso Gentil sugere que, na busca por esse questionamento chave, procure-se fazer e refazer a pergunta de modos diversos, usando sempre os mesmos termos, a fim de que, a cada revisão, esta torne-se mais concisa, sob a seguinte lógica: quando faz-se esta mesma pergunta de modos diferentes, na realidade está-se fazendo outras perguntas e, conjuntamente a essas novas questões que são feitas, gradativamente é possível notar a rede de questões que podem estar ligadas ao assunto a ser abordado; e se vemos essa rede de modo claro, conseguimos também enxergar que pontos podem ser evidenciados na pergunta chave.
Trata-se, assim, de definir como suas referências se interligam entre si, como dialogam umas com as outras. Os trabalhos dos vários autores que se leem vão, aos poucos, se conectando e criando essa rede, necessária à pergunta chave que deve surgir para que o artigo vislumbre um caminho a ser seguido. Por isso, é importante juntar o que de há de importante no material já publicado na área, preferencialmente com a ajuda de um profissional que tenha experiência no assunto, mesmo que indiretamente, de modo a definir o material a ser explorado.
Durante a leitura, Gentil sugere que se faça uma espécie de desconstrução do processo pelo qual o autor do(s) texto(s) de referência passou até seu texto chegar ao estágio em que se apresenta. As perguntas a serem respondidas nesse processo de análise são: a) qual é a pergunta principal que o autor se fez inicialmente? b) que caminho ele tomou para procurar respondê-la? c) que respostas encontrou? Ou: a) qual é o problema que o autor aborda? b) quais são suas teses sobre ele? c) que argumentos apresenta? A partir do momento em que se responde a essas perguntas, é possível pensar com mais clareza sobre sua própria pergunta.
A seguir, deve-se considerar aquilo que o autor estudado não considerou em sua pesquisa, o que ficou de fora e pode, agora, ser abordado. A esse respeito, surgem as questões: a) que aspectos da realidade não foram tocados por suas perguntas e respostas? b) considerando a pergunta que ele mesmo fez inicialmente, o que a resposta que ele apresenta tem de satisfatório e o que tem de insatisfatório? c) que outros caminhos eram possíveis para responder àquela pergunta e ele não considerou? d) que outras perguntas importantes podem ser feitas em torno da problemática?, qual é o valor relativo de cada uma delas?
Apesar de aparentemente simples de responder, essas perguntas só são realmente respondidas passado certo tempo. Segundo Gentil, o processo de investigação que permeia uma pesquisa começa, majoritariamente, sem norte. Tateia-se à procura de algo que não se sabe muito bem onde está, procura-se não se sabe claramente o que. No decorrer das leituras é que, espera-se, as coisas vão ficando claras, a ponto de se conseguir com que crie-se uma ordem e se possa organizar com maior inteligibilidade os pontos em questão.
Por fim, o autor expõe o esquema básico de um projeto de pesquisa, que se dá por meio das seguintes etapas: introdução, justificativa, objetivos, metodologia, cronograma e bibliografia. Na introdução, apresenta-se o problema que se pretende investigar, situando-se no campo que lhe é próprio e definindo a perspectiva teórica com que vai ser trabalhado, onde é levantada a questão chave do artigo. Na justificativa, apresenta-se a importância, a relevância do artigo em questão: por que ele tem que ser feito? Os objetivos são onde se quer chegar: o que se pretende levantar? Como? Quais as conclusões a respeito? A metodologia é o caminho que se pretende seguir para conseguir tais objetivos: que recursos se utilizará? A partir do que se definir na metodologia, é possível criar um cronograma para a execução de tais metas, onde organiza-se uma ordem temporal de feitura das etapas necessárias para dado fim. Por fim, na bibliografia, cita-se as obras e seus respectivos autores, que vieram a contribuir com sua obra.
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