O autor introduz expondo duas categorizações da pratica educativa. A primeira vertente diz respeito à educação como prática técnica, um tanto mecânica inclusive, em que o agente mediador tende a reproduzir ou tornar práticas, no dia a dia, determinadas descobertas. Essas descobertas advém de um saber científico que, segundo o autor, remete a uma perspectiva retificadora, visto que as ciências são associadas a verdades que tendem a ser esclarecedoras nos mais diversos âmbitos e, por isso mesmo, recebem certo prestígio, por conta do seu valor funcional. A segunda vertente, por outro lado, é mais ligada a uma perspectiva um tanto mais reflexiva sobre a construção do saber no campo educacional, pois esta busca refletir acerca da própria prática educativa, criando teorias que, continuamente, geram questionamentos e reflexões. Num caso, a educação é aplicada como fruto de uma técnica; noutro, como práxis política. Em ambos os casos, porém, o conhecimento é pensado como fruto de uma qualquer racionalidade: por meio de experimentação e/ou ponderação, comprova-se ou abre-se reflexão (racional) sobre determinado tipo de saber.
A palavra aparece como mediadora e é-nos lançado o desafio de, através destas, comunicar tudo que "se sabe". O homem detém a palavra e a usa a fim de descrever os acontecimentos e as coisas. A palavra, entretanto, tem seus limites e estes a tornam mais complexa do que, a princípio, aparenta. Por isso, o autor propõe uma outra forma de ponderação acerca da experiência do saber, que analisa, de certo modo, a complexidade própria das palavras, tendo em vista uma perspectiva mais sensorial que racional, e a experiência que, de um modo geral, a palavra tenta traduzir.
Bondía fala, então, da ligação intrínseca entre homem e palavra, na medida em que o homem faz uso da palavra, ao mesmo tempo em que ele próprio é construído em torno desta. É por via da palavra que a existência, numa tentativa falha, talvez, tenta explicar a si mesma (por intermédio do homem, que detém a palavra) e, não conseguindo, é também através da palavra que informa-se acerca da incapacidade de se explicar a devida existência. O autor defende, pois, uma ligação muito forte entre indivíduo e palavra, a ponto de conceituar o pensar não como uma habilidade inerente a algumas pessoas, como fruto de uma certa genialidade, mas devido ao uso que é feito da palavra, inclusive a fim de explicar essa suposta qualidade de ser genial — não se pode dissociar estes dois elementos (homem e palavra), pois ambos são uma coisa só: "o homem é enquanto palavra". O ideal não é, portanto, ligar a palavra a uma técnica que se usa para esclarecer as coisas e os acontecimentos, explicar o próprio ser: a tentativa de significar isso ou aquilo, segundo o autor, é mais que simplesmente palavra, pensando-a como mero mecanismo.
Há de haver algo muito mais ligado à experiência, a algo que nos perpassa, algo que nos acontece e ao qual, de certa maneira, nos expomos. Não é mero acontecimento noticiável, dentro de uma perspectiva narrativa, mas o que nos toca, de maneira subjetiva. No período contemporâneo, entretanto, defente Bondía, a chamada "era da informação" e as suas diversas implicações têm-nos impedido, constantemente, de passar por experiências, ou ser perpassados por elas, na medida em que isso é dificultado pelo excesso de informação, pela imposição de uma postura opinativa acerca da informação recebida, pelo excesso de velocidade e pelo excesso de trabalho.
Existe uma demanda enorme de que as pessoas recebam informações excessivas, numa velocidade inviável, e também excessiva, durante o percurso por elas traçado durante suas vidas. O indivíduo há de estar sempre informado, além de que deve opinar, pois opinar é uma extensão de estar informado e, portanto: quem "sabe", quem está informado, deve opinar, levando em conta que, quanto mais variadas informações e, consequentemente, variadas as opiniões acerca dessas informações, tanto melhor para esse sistema que se estabelece. Além disso, é preciso trabalho, é preciso produzir, sob a justificativa de que é no trabalho que as informações anteriormente processadas, conjuntamente com as opiniões geradas a partir disso, possibilitarão uma suposta "experiência" de trabalho, que nada mais é do que uma continuação desse processo de robotização. A relação direta entre esses quatro elementos impossibilita a experiência, pois tira o tempo do indivíduo (que está sempre sem fôlego enquanto se informa, opina e trabalha em ritmo acelerado), e é de tempo que ele precisa para ter contato com a(s) experiências(s).
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